Resenha Histórica



Localização Geográfica

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Silves no Google

A cidade de Silves situa-se no Barlavento ( parte Ocidental ) do Algarve, ao Sul de Portugal, numa zona intermédia entre o Litoral e a Serra conhecida por Barrocal. As suas coordenadas geográficas são 37° 11' 13'' de Latitude Norte e 8° 26' 20''de Longitude Oeste ( referência ao meridiano de Greenwich ).

Banhada pelo rio Arade, que em Portimão desagua, a cidade apresenta-se em anfiteatro pela colina do castelo que atinge os 55 metros.


Pré-História


Desde a pré-história que a sua região é povoada, sendo frequentes os achados arqueológicos na bacia do Arade e nas áreas litorais ( menires, sepulturas, instrumentos de pedra polida ).

Contudo, será na Idade dos Metais, a partir do terceiro milénio antes de Cristo, devido à sua riqueza em cobre que a região começará a ganhar maior importância.

© Baeta Oliveira O rio Arade torna-se então importante porta de entrada do comércio mediterrânico oriental e das suas novidades culturais.

No primeiro milénio antes de Cristo aumentam os sinais da presença da escrita, a até hoje indecifrada escrita do Sudoeste Peninsular, e de povos comerciantes como os fenícios, gregos e cartagineses.

Chamar-se-ia então provavelmente Cilpes ao primeiro núcleo urbano e a sua localização seria no Cerro da Guerrilha, um quilómetro a Oeste da actual cidade.


Os Romanos

Após a derrota cartaginesa nas Guerras Púnicas o domínio romano acentua-se.

O Arade continua a ser a porta de entrada das influências exteriores e a porta de saída dos produtos locais: minério, azeite, vinho, frutos secos, sal e peixe.

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Os vestígios da época romana não abundam próximo de Silves: apenas pequenas estatuetas, bases de estátuas, pedras com inscrições, moedas, restos de "villas", e a tradição, quanto a nós muito provavelmente distorcida, de que a ponte sobre o rio é construção romana.

O domínio romano durou politicamente até ao século V, a sua preponderância cultural manteve-se mesmo durante a época visigótica, só terminada com a conquista islâmica no séc. VIII.


Os Muçulmanos


O Islamismo trouxe um sopro de civilização ao
al-Ândalus e em particular ao al-Gharb ( étimo da palavra Algarve ) ruralizado herdado do Império latino.

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A cidade muçulmana é pólo da vida económica, cultural e administrativa de um dado alfoz ( do aráb. arredores ).

Silves foi então, quer no Emirado, no Califado de Córdova ou como capital regional de reinos Taifa, uma importante cidade, cantada pelos seus poetas.( Leia, noutro local, o texto "Shilb e a actividade marítima dos muçulmanos no Oceano Atlântico")

No séc. XI, al-Mu'tamid fez dela o refúgio de inúmeros poetas, cientistas, teólogos e outros, ao abrigo do seu palácio, suas escolas e frequentes tertúlias. ( Leia, noutro local, o texto "Silves no contexto poético do al-Ândalus" )

No século seguinte, Ibn-Qasi (Leia, noutro contexto, algo mais sobre a vida e a poesia de Ibn Qasi), auto intitulado Messias ( Madhi ), faz explodir o Gharb em fervor religioso e anti-Almorávida .

Todo o Sudoeste Peninsular o seguiu até a onda expansionista da tribo norte-africana dos Almoadas pôr fim à vontade de autonomia do Gharb.

Os apoiantes acabaram por decepá-lo em Silves, após saberem da troca de presentes e embaixadas com o rei de Portugal, Afonso Henriques.

Da época almoada são a maioria dos vestígios arqueológicos de Silves: as muralhas, na sua maior parte, as torres-albarrãs , o poço-cisterna. ( Leia, noutro local, o texto "O Palácio Almoada da Alcáçova de Silves)"

Dá-se então a primeira conquista importante de Silves pelos exércitos do Norte cristão.


Os Portugueses


Em 1189, o filho de Afonso Henriques, D.Sancho, com a ajuda de Cruzados da 3ª Cruzada, toma pela sede a gloriosa Xelb ( nome da época árabe ) ao fim dum cerco de mês e meio.

Mas só em meados do século XIII se tornou conquista definitiva, reinava D. Afonso III.

Fê-la Concelho por carta de foral de 1266 e deu início, sobre a Mesquita Maior, à construção da Sé cristã. São no entanto do século XV as grandes obras da actual igreja matriz, não nos esquecendo, das que são do séc. XVIII.

Os anos de Quatrocentos, inícios de Quinhentos ( séc.XV-XVI ), são os últimos em que Silves gozará alguma prosperidade derivada do movimento do seu rio e de ser a capital do Bispado.( Leia, noutro local, o texto"Através de Silves Medieval" )

Na época dos Descobrimentos portugueses daqui partiram muitos silvenses, ao serviço das caravelas do Infante D. Henrique ( exemplo disso é o caso de Diogo de Silves, provável descobridor dos Açores ) ou da conquista e defesa das cidades portuguesas norte-africanas ( veja-se a Crónica da Conquista de Ceuta de Gomes Eanes de Zurara em Silves terminada ).

Da época do rei D. Manuel ficará a carta de foral de 1504, a Cruz de Portugal, a capela-mor da Igreja dos Mártires ou a porta lateral da Igreja da Misericórdia.

O assoreamento do rio e a transferência do bispado para Faro foram o golpe de piedade na decadente e insalubre cidade.

No séc. XVIII, o célebre Terramoto de Lisboa ( 1755 ), deixou de pé umas vinte casas, dizem alguns.




A Vida Contemporânea


A antiga Sé é restaurada quando se dão as invasões napoleónicas.

Começa uma época de lutas que se prolongará pela Guerra Civil Liberal ( 1832-1834 ) e pelas lutas do célebre guerrilheiro do partido do príncipe D. Miguel, o Remexido.

Na segunda metade do séc. XIX a indústria corticeira fez crescer de novo Silves, económica e urbanisticamente. Ainda hoje é possível observar as residências elegantes dos proprietários ricos, a simplicidade da casa do operário ou os escombros das fábricas em que trabalhavam.

© Baeta Oliveira

A implantação da República ( 1910 ) foi bem acolhida, mas com espírito reivindicativo por todo o meio operário e sindical que então se organizou. O Estado Novo de Salazar ( 1933-1974 ), apesar de algumas obras importantes para a terra ( Barragem, Escola Técnica, Mercado, Ponte nova ), não conseguiu apagar o espírito republicano e anarco-sindicalista que se manifestara exemplarmente na Greve Geral de 1934, nem fez sair a cidade da decadência da cortiça.
( Veja, noutro local, o texto "Da alvorada do século ao Estado Novo" )

No entanto, por um lado os efeitos da Barragem do Arade na transformação da paisagem agrícola local para a dominante citricultura, de que Silves é hoje capital, por outro, a explosão turística que o Algarve dos anos sessenta conheceu, e que hoje procura aqui o centro histórico e cultural de outros tempos, contam-se entre os principais factores do futuro desenvolvimento da cidade.

Texto © Manuel Castelo Ramos

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Vocabulário

ESCRITA DO SUDOESTE PENINSULAR - Nome pelo qual é conhecida a escrita alfabética ainda indecifrada que surge em inúmeras estelas funerárias do Sudoeste Peninsular. É considerada a primeira escrita desta região e poderá ter origem oriental. Embora haja autores que a recuem à Idade do Bronze, são da Idade do Ferro ( primeiro milénio antes de Cristo ) a maioria dos achados. No Algarve são relativamente frequentes em necrópoles e em Silves surgiram alguns bons exemplares no lugar de Benaciate.

CERRO DA GUERRILHA - Importante local arqueológico a 1 Km a Poente de Silves também conhecido por Cerro da Rocha Branca e hoje totalmente destruído pela acção criminosa do seu proprietário. Tratar-se-ia de um primitivo núcleo urbano e de um entreposto comercial sobranceiro a um porto fluvial, habitado desde os fins da Idade do Bronze até à época romana. O seu nome poderia ter sido Cilpes, e as escavações arqueológicas do local ( 1981, 1984 e 1985 ) revelaram uma importante muralha defensiva, restos de habitações e objectos de proveniência oriental.

AL-ÂNDALUS - Nome pelo qual era conhecido o território árabe peninsular do séc. VIII ao séc. XV. A parte mais ocidental deste território, hoje Portugal, era também designada por al-Gharb.

AL-MU'TAMID - Príncipe-poeta nascido em Beja ( 1040-1095 ), governou Silves na juventude e mais tarde Sevilha, capital de um reino Taifa. Amigo do poeta algarvio Ibn 'Ammâr, com quem formou animada tertúlia literária em Silves. A ele se atribui a construção do famoso Axarajibe ( Palácio das Varandas ) e é ele, segundo alguns, o rei mouro da Lenda das Amendoeiras. É dele o famoso poema Evocação de Silves. Morrerá preso em Agmat ( Marrocos ), para onde foi deportado após a invasão almorávida da Península Ibérica.

ALMORÁVIDAS - Do árabe "al-murabit", ( guarda de fronteira, eremita, religioso... ). Tribo berbere que criou um império norte-africano com capital em Marraquexe e pôs fim no al-Andaluz aos pequenos reinos Taifas independentes do séc. XI. O seu domínio do Algarve durou até meados do séc. XII quando apareceram os reinos das Segundas Taifas e se deu a invasão almóada.

ALMOADAS - Tribo norte-africana cujo centro político foi Marraquexe e que conseguiu o controlo político e militar sobre o al-Andaluz, o al-Gharb ( o Ocidente ) incluído, da segunda metade do séc. XII até à primeira metade do séc. XIII, quando as tropas cristãs reconquistaram definitivamente o Algarve. A maioria dos restos monumentais mouros de Silves é deste período.

ALBARRÃS - Criação genuína da engenharia militar almóada, serviam vários objectivos: por um lado permitiam uma mais eficaz defesa dos muros pelo ângulo criado; por outro, possuíam por vezes os conhecidos mata-cães nos passadiços, dos quais se atingia o inimigo; por fim, e constata-se isso nas muralhas da Almedina, quando se colocavam junto a entradas, dificultavam a utilização de engenhos ( aríetes, por exemplo ) usados para derrubar portas.

CARTA DE FORAL - Carta de Foral ou Foro era um documento entregue pelo rei ou outro senhor feudal aos habitantes de uma povoação. Esta tornava-se um Concelho e gozava de privilégios fiscais e administrativos especiais, bem como obrigações. Os símbolos da sua autonomia eram a Casa da Câmara e o Pelourinho, este último sendo o local onde se justiçavam os criminosos.